Ele nunca fora paciente. Não sabia esperar. Desde criança, quando queria algo tinha que ser imediatamente. Quando não era possível, estatalava-se a chorar. Acredito ser uma característica da família. Era um “Fernandes”! Namoravam há pouco mais de um ano e ele já falava em casamento. Ele não se conformava quando ela dizia que ainda era cedo. Não via razão para adiar. Afinal, não tinham certeza de que foram feitos um para o outro? Por várias vezes, voltava para casa zangado com ela. Queria casar logo. Queria dormir e acordar ao lado dela. Queria viver com ela para sempre. Seria a chance de acabar com a solidão que insistia em acompanha-lo. Certo dia, para sua surpresa, foi promovido no emprego. Passara a assumir um cargo com um salário bem melhor. Era um sinal do céus, providência divina. Agora podia reformar a velha casa (que fora do seu pai), comprar os móveis e sustentar uma família com um maior conforto. Ela concordou e, finalmente marcaram a data. À medida que os dias passavam e se aproximava o dia do esperado enlace, aumentava sua ansiedade. A felicidade, a qual ele tanto buscava, estava próxima. Faltava pouco para ter o seu vazio interior preenchido. Enfim, casou-se! Logo mudaram-se para a casa nova.


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